Autora: Emily Brontë
Tradução de: Rachel de Queiroz
Editora: Record
Espero que leiam a resenha toda, apesar de um pouco grande, vale a pena!
Um livro totalmente diferente do que eu esperava. Um amor totalmente diferente de todos que já tinha conhecido. Definitivamente uma das histórias mais intensas que já li.
Minha demora foi grande em cima desse livro, fazia tempo que eu não passava semanas e semanas em cima do mesmo livro, mas tudo tem uma explicação: o romance foi publicado 1847, e a tradução que li (e imagino que todas as outras) contêm palavras um pouco diferentes do nosso vocabulário costumeiro. Mas o que me fez perder tempo mesmo foi ler e reler um mesmo parágrafo diversas vezes, para conseguir compartilhar do sentimento de cada personagem, já que por mais que não estivesse explícito, após conhecer cada um deles, você já conseguia imaginar.
O jeito que a autora trabalhou com a morte foi totalmente inesperado para mim, ela não nos fazia sofrer com a angústia de algum personagem pela morte. Algum personagem morria e você sabia o fato, e era isso. Parei diversas vezes para trabalhar minhas emoções quanto as mortes uma vez que elas não eram trabalhadas no livro. A menos esperada por mim e a mais difícil de compreender era a de Catherine. Levando em consideração que o livro tem em torno de 12 mortes, dá para perceber quantas vezes você fica atônito por em um simples capítulo um grande personagem deixar o livro. A autora pode não ter feito propositalmente, mas foi novo para mim me por no lugar de tantos outros personagens para sentir uma morte do que ler sobre o sentimento do personagem.
Em relação ao relacionamento principal, não espere por um amor bonito, cheio de flores pelo caminho. O amor do livro é um amor doído, que machuca os personagens. A intensidade dele é tão grande que provoca isto mesmo. E é impressionante o que a perda de um amor faz com alguém, e é essa trajetória que vemos no livro através do personagem de Heathcliff. Como próprios trechos do livro comprovam, o amor entre ele e Catherine é sufocante, maior que sua própria vida, e em alguns momentos o amor e os dois personagens se sentem como uma só coisa e como único objetivo da vida do personagem, de tão imenso que é o que sentem. E por mais que esse relacionamento nos faça ver dor, eke também nos comove. Achei magníficos certos trechos de Catherine falando sobre o que sentia por Heathcliff, diálogo muito abordado em um dos capítulos que acabou se tornando um dos meus favoritos, é quase inexplicável e incompreensível como duas pessoas podem se amar tanto e mesmo assim gerar tanto sofrimento para o outro.
Quanto a outra ponta desse amor (sim é um triângulo!) vejo ela totalmente ao contrário do que é o amor de Catherine e Heathcliff, Edgar ama Catherine sem querer sufocá-la, ele apenas a quer bem e por mais que a dor de perde-la seja grande ele não deixa de ser um bom rapaz. É interessante ver o grande contraste nos dois relacionamentos.
É interessante ver a todo momento contrastes de emoções, ou algum personagem odeia fervorosamente outro, ou ama e o quer para toda vida e além dela.
Também penso que foi assustador ter tanta dor em um livro, só por causa de um único personagem. Todos os outros que foram oprimidos ou viram sua vida chegar ao fim por causa deste personagem contribuem na história para vermos o quanto alguém faz por vingança. Todo personagem conseguiu me fazer sentir algo e em sua maioria foi pena de ver suas vidas arruinadas. Uma das únicas exceções a pena foi o nojo que senti pelo Linton
filho, e a alegria do final feliz de Cathy
filha e Hareton e Nelly. E falando sobre Nelly, na minha opinião ela é uma personagem maravilhosa, por mais que totalmente neutra, afinal de contas, é ela que nos passa toda a história.
Falando ainda sobre a Cathy
filha gostei de toda determinação dela e coragem mesmo após todos os mal tratos passados e foi ótimo como ela encarou a mudança repentina e total de vida. Não posso dizer que ela é um exemplo a se seguir, mas é uma fonte de inspiração.
Outro ponto interessante do livro é a autora tratar do fantasma de Catherine, e quase deixar a escolha do leitor se ele quer mesmo acreditar que Catherine amava tanto Heathcliff a ponto de cumprir sua promessa e o assombrar após a morte, ou quer deixar isso de lado não passando de loucura do personagem por querer tanto que ela não tivesse partido.
Finalizando, recomendo esse livro a todas as pessoas. Recomendo que não devorem o livro, mas vivam cada emoção que ele dispõe. O leiam com o coração e mente aberta para tudo que ele pode lhe trazer. Cada capítulo consegue surpreender cada vez mais você, e se você não sente, nem absorve o livro, você não consegue entender o que ele passa e pode te fazer sentir. E acaba transformando essa obra-prima no livro mais chato de sua vida.